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Agora é Tarde, Inês é Morta | 28Ago2010 22:10:37
Publicado por: (..)

O dito popular “Agora é tarde, Inês é morta”, suponho que mais usado no Brasil que em Portugal, relaciona-se com um episódio da História de Portugal, do século XIV.
D. Pedro I nasceu em 1320, era filho de D. Afonso IV que reinou num período de pestes e guerras. Casou com Dona Constança Manuel, princesa espanhola por quem não nutria amor. Acompanhou-a, como aia, D. Inês de Castro, da família dos Castros. O Príncipe desde logo se apaixonou por esta dama de companhia, dada a sua beleza. Razões de ordem moral e política se levantaram contra “o grande desvairo” (Fernão Lopes). Por um lado eram primos chegados e D. Pedro era casado; por outro a família Castro tinha ambições políticas no reino de Portugal e D. Inês podia ser o instrumento para tal. D. Constança morreu cedo e D. Pedro e D. Inês passaram a viver juntos em Coimbra. Terão casado, embora D. Afonso IV nunca o tenha permitido. O casal teve 4 filhos, mas não viveu feliz para sempre… D. Inês foi morta em Santa Clara, Coimbra, embora a lenda diga que foi na chamada Fonte dos Amores, Quinta das Lágrimas, Coimbra. Este desfecho trágico e espectacular foi ordenado pelo Rei D. Afonso IV, a conselho de Diogo Lopes Pacheco, Pedro Coelho e Álvaro Gonçalves.
D. Pedro ficou desvairado e, quando rei, vingou a morte da amada, mandando prender e matar cruelmente os conselheiros e também executantes da morte de D. Inês. A ele se atribui a frase:” Agora é tarde, Inês é morta”. (Já não vai a tempo, já não se pode resolver). Manda esculpir dois túmulos para o Mosteiro de Alcobaça – um para ele, outro para D. Inês. Esta vai ser levada em cortejo fúnebre, de Coimbra para o túmulo (lindíssimo) em Alcobaça. Segundo a lenda, impossível de esquecer nesta história, D. Pedro coroou rainha D. Inês (já morta há dois anos) e obrigou a Nobreza e o Clero a beijarem-lhe a mão. Assim, a Literatura, sobretudo romântica, tem acrescentado muitos dados à verdade histórica. Poder-se-á dizer que afinal Inês, também chamada “colo (pescoço) de garça não “é morta”, mas está eternizada, quer pela sua morte, quer pelo seu amor proibido, perseguido e difamado, tal como a Julieta de Romeu , ou a Isolda de Tristão.
Muito se tem escrito sobre Pedro e Inês, desde as belíssimas estrofes de Camões, nos Lusíadas, até romances, na actualidade.
Célebre frase de camões ao se referir a Inês de Castro: 'a que depois de morta foi rainha'.
Hoje a frase: 'Agora é tarde Inês é morta', é usada para conceituar a inutilidade de certas ações, nas quais a solução do problema acontece quando o desenlace já aconteceu.
Texto de Maria do Céu Carvalho Dias nasceu na Nazaré, Portugal, e é formada em História pela Universidade Clássica de Lisboa. Ensinou durante anos em escolas de diversas localidades portuguesas.
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http://docapibaribeaotejo.blogspot.com/2010/05/agora-e-tarde-ines-e-morta.html
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