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Poemas

Portugal ao contrário - 15Mar2010 07:59:19

Como se pode começar
Aquilo que já acabou
Como se pode acabar
Aquilo que não começou
Triste fado o fado nosso
O fado de um povo triste
Que nem a rezar pai-nosso
Evita este alegre despiste
O de ser ex-povo poeta
Porque virou nobre pateta

Ó meu Portugal
Que me dás o dia inteiro
A possibilidade de funeral
E todos os dias de nevoeiro
De afonsos sem qualquer dom
Sem segundos nem penúltimos
Porque agora sobes o tom
De sermos os primeiros dos últimos
Como cantar então a tua glória
Se só na derrota cantas vitória

Deste destino não me livro
De tanto bruxedo e feitiçaria
Narro-te em trovas de um livro
Porque é negra a tua magia
Desfeito dos teus feitos heróicos
Que te dilataram a fé e o império
Agora um punhado de paranóicos
Armados em heróis a sério
Cambado de panascos importantes
Que além do mais são praticantes

Já não acredito em querer
Que um dia vá acreditar
Na fé desse grande crer
Que me possas salvar
E me faças outra vez de novo
Filho de gente que sente
Gente de gente, gente do povo
Do povo de nação valente
E agora vai pior que mal
Numa estupidez imortal

Onde raio estão nossos irmãos
Para onde fugiram nossos amores
A quem dar as nossas mãos
Num país de desertores
Viraram-se todos ao contrário
Fugindo apressados à realidade
Montados neste triste cenário
Sem esperança na saudade
E do amigo ficou o esboço
Do inimigo a apertar o pescoço

Ó Portugal da mensagem
Já sem rosto de Pessoa
De Camões sem linhagem
Sem Porto e sem Lisboa
Virou fantasma o Viriato
Sebastião um morto-vivo
O teu povo no estrelato
Tua pátria um nado-vivo
E já nem o velho do restelo
Te idolatra como camelo

Foste castelos de tantas quinas
De reis e governantes além-mar
E agora hipotecas as salinas
Porque te esquivas ao teu mar
Foste o senhor de tanta guerra
Em busca do além-mundo
E agora enterras a tua terra
Enterrando o machado bem fundo
Que será de ti ó Portugal
Que só de besta se faz bestial

Reina e impera a estupidez
Governa a avidez e a ganância
E de olhos fechados tu não vês
Que a tua prol é ignorância
Que a votar não vota bem
Que a não votar vota mal
Porque o voto vota alguém
Que não te vota Portugal
São votos brancos, votos de chulos
São tudo votos, votos nulos

Canto-te assim o fim do império
Numa poesia de raiva e dor
Que te prova muito a sério
O tanto de tão pouco amor
E que te vê a desmaiar
Em queda tornada coma
Num hospício a tratar
E à venda na vandôma
A Europa desfigura-te o rosto
E o teu vinho sabe a mosto

Ó Portugal moribundo
A afogar-se à beira-mar
Destes mundos ao mundo
Sem o mundo nada te dar
Vais agora de vento em popa
Rumo à morte com certeza
Das migalhas fazes a sopa
Restos cozidos-à-portuguesa
Eis Portugal ao inverso
Lagutrop do meu verso

 

JSL

 



Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://poemas.blogtok.com/blog/13849/

Vã_idade - 15Mar2010 07:59:19

 

 

Vã_idade

sem va_idades, vim_te ver
Com trastes a ver_de cor
De_cor só por crer
Querer crer-te a_mor

Como vir_gula a_sim
In_vejo a ira dos contos
A_sim mula que jaz_mim
A_flora nús encontros

Falo com nexo é sexo
Num quarto encantando
Pelo sim pêlo não ...con_vexo
E_ternamente a_pai_xonado

Bem fica assim da bola
Inúmeros sem conta
Uma cabecinha tonta
Que só só não rebola

Luxo, chique, pomposo
Um amor igual a dois
Ás duas vir_gula três
Vai uma vai duas vai_doso

JSL



Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://poemas.blogtok.com/blog/13422/

Ódio é - 15Mar2010 07:59:19


Ódio é água que molha sem molhar
é cegueira que enxerga mas não se vê
é uma felicidade de um infeliz porquê
é prazer em dor por não poder amar

É um querer muito o que não se quer
é ficar só por não ganhar o coração
é negar o bater sentido do querer
é ganhar nada por perder a razão

É desejar um desejo indesejado
é servir um prato frio de sal e sódio
é ser odioso por não ter amado

Mas como pode causar lugar no pódio
de um fado tão triste e malfadado
se tão semelhante a si é esse ódio?




Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://poemas.blogtok.com/blog/8126/

Ódio é - 15Mar2010 07:59:19

odio.jpg
Imagem : autor desconhecido


Ódio é água que molha sem molhar
é cegueira que enxerga mas não se vê
é uma felicidade de um infeliz porquê
é prazer em dor por não poder amar

É um querer muito o que não se quer
é ficar só por não ganhar o coração
é negar o bater sentido do querer
é ganhar nada por perder a razão

É desejar um desejo indesejado
é servir um prato frio de sal e sódio
é ser odioso por não ter amado

Mas como pode causar lugar no pódio
de um fado tão triste e malfadado
se tão semelhante a si é esse ódio?

 





Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://poemas.blogtok.com/blog/6676/

A vida - 15Mar2010 07:59:19

A vida é grata ingratidão
Entre nascer até à morte
É sobretudo aos que verão
Uma ingrata e grata sorte

É muito mais que não se sabe
A sua mestra mestra até ignorância
O não saber-la é sabor que não sabe
É um saber tão curto e sem distância

E depois tem na dor muitos sintomas
É é sangue e tripas em todas indisposições
São abortos eutanasias e são comas
E antes dela (a morte) só confusões

E tudo porque não tem de comer
Para matar a fome a si mundo
Para ter o privilégio de viver
Uma vida vivida a fundo


Poema homenagem à poesia/filosofia de Agostinho da Silva

www.agostinhodasilva.blogtok.com


Música dos caffeine.



































www.honeysound.com

Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://poemas.blogtok.com/blog/6329/

Dó-Ré-Mi-Fa-Sol-Lá-Si - 15Mar2010 07:59:19







Morte de poeta é um

U
ma poetisa na vida é

Seres que habitam em MI

Infortúnio de um

Como fá de um outro SOL

Amando assim eu

Levito em SI






Pintura de:

www.yoko.blogtok.com



Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://poemas.blogtok.com/blog/6314/

A dor - 15Mar2010 07:59:19






A dor é uma vã e triste inimiga
À qual não me posso juntar
Se um dia se tornar amiga
É amizade para não durar

O corpo é seu lar doce lar
Mas a alma também castiga
E numa batalha a travar
A dor é uma vã e triste inimiga

Não deixa nunca saudade
E nada de bom tem para dar
É a típica insana inimizade
À qual não me posso juntar

Castiga-me sem dó ou piedade
Impiedosa dor que me fustiga
Dá-me a pior e rude amizade
Se um dia se tornar amiga

Amiga visceral e tão cruel
Que tens tu para me doar
Se afinal esse teu papel
É amizade para não durar


Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://poemas.blogtok.com/blog/6272/

A net! - 15Mar2010 07:59:19

Ó vil e querida web
Que a gente vê como uma net
Que se prova mastiga e deita fora
Que tanto nos "embeb"
Parece então um bom frete
Que nos põe sempre à nora

Em ti gravata virou trapo
O vilão torna-se o bom da fita
O príncipe virou uma rã sapo
A velha corcunda bela pita
E o chato toma chá e bate-papo
E a garrafa arma-se em pipa

E para sina de um pobre luso
Faz que entra mas não penetra
Deixa qualquer tuga confuso
E quando tudo ainda vale a pena
Fia-se roca sem roca e fuso
E lá se escreve mais um poema

Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://poemas.blogtok.com/blog/6259/

Perdido - 15Mar2010 07:59:19










 

Hoje acordei e não sabia de mim
Perdido não sabia onde estaria
Alguém me viu e disse-me assim:
Procura-te dentro da poesia.

Para isso talvez pintar um poema
Sobre-dotado de tanto e de nada
Que nem tivesse pois um tema
Nem mentira de verdade rimada

Sem palavras juntei as letras
Fiz-me pessoa dado às tretas
E uma mensagem vos enviei

Onde estou estou sem o saber
De onde vim vim para me conhecer
E vou vou estar onde me encontrei


Foto: www.raspinja.blogtok.com




Fonte: http://www.blogtok.com/saidas.php?link=http://poemas.blogtok.com/blog/5347/

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